A passagem do tempo nos traz uma ideia de mobilidade, que não deixa de ser verdade, mas também não é absoluta. Um dia após o outro leva a crer que a vida é uma simples consecução de eventos, de fatos, de pessoas, e o é, mas não de sentimentos. Preenchemos os dias com as atividades rotineiras, destoando do cotidiano em alguns momentos, nalgum final de semana ou num instante inusitado, mas a constância de alguns sentidos não deixa que o tempo seja imperativo em tudo, como se tudo perecesse com ele. Decerto, algumas pessoas, coisas e lembranças se vão por sua ação, mas outras o transcendem, a ele resistem justamente por não serem para nós apenas a matéria - que está sujeita à ação das horas -, mas por terem se eternizado em sentimentos delicados, etéreos, intangíveis e insuperáveis. Eles sobrevivem justamente por não dependerem de nada externo, eles são insuscetíveis ao tempo porque o tempo somente envelhece aquilo que há fora de nós; nossos sentimentos não são cabelos que simplesmente embranquecem e caem. Eles perduram e se mantêm imunes aos agentes da vida, às novas pessoas e experiências; eles ficam calmos ali dentro, cientes do seu lugar e do quão substanciais são comparados às frivolidades que experimentamos.
A passagem do tempo é algo curioso. É notável a diferença de como eu estava há um ano, um simples aninho, e de como estou agora. Sem ponderações de se estava mais ou menos feliz, o fato é que os dias dão uma falsa ideia de recomeço diário, mas eu bem sei que estou numa constante e que amanhecer não significa deixar no sono o que eu sentia ontem. De forma surpreendente, a vida vai se mostrando sob novos contornos, mas Deus não seria tão leviano de fazer com que tudo o que nos é apresentado e que de nós faz parte se fosse com as voltas de um relógio. Não. E então Ele nos capacitou amar, seja da forma fraterna, espiritual ou romântica, e o amor que sentimos é o que há de único nesse mundo capaz de sobreviver à correria diária, à infinidade de pessoas, à sedução dos prazeres.
Não pergunto-me até quando irei ser arrebatada por certas sensações que me tiram o fôlego e o chão, tamanha saudade. Não questiono até que ponto resistirá o que está aqui dentro - vai que seja isto algo que não sucumbirá ao tempo... o que posso dizer é que mesmo não sabendo quem terá força para em nós nunca desertar, alguns amores foram feitos só pra começar.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
ideias sem muita coerência trazidas por uma insônia que não vai embora
Por Deus! Todas as vezes que finjo me convencer de que a vida é um constante desfile de pessoas em minha realidade, por
Ele que eu me reafirmo isso diversas vezes, no fundo eu sei que somente
estarei bem quando me deitar ao lado de quem amo e então dormiremos num quarto
onde o único som familiar será o de nossa respiração. Repetir até me convencer,
talvez seja este o segredo, mas enquanto esta insistência não surte efeito,
aquela ideia se delineia e se fortalece como única possibilidade de felicidade
plena.
Existirá o dia em que eu me tornarei
imune a estes pensamentos e que a vida parecerá comum, mas ela cobrará seu
preço nalgum momento, quando me indagarei sobre o outro caminho que eu poderia
ter tomado e não foi seguido. Existem muitos deles, todos são uma opção e a
renúncia a um não implica em tristeza, de modo algum. O que os diferenciam é
que alguns deles são imantados, exercem sobre nós uma atração destacada dos demais
e os escolhemos sem saber o porquê, mas a verdade é que por meio deles estamos
mais aliados à felicidade.
Inúmeras possibilidades aparecerão, mas
é tão vago se apegar em estatísticas. Somente sou algo neste segundo, no qual
existo por frações que quando ultrapassadas tornam-se passado. Quando digo que a amo ela somente é amada por este momento e então este amor renova-se, renova-se, renova-se... nos instantes seguintes, do contrário ele se perderia no tempo. Amor exige de nós
constante reinvenção e é somente desse modo que ele se faz inesgotável.
sábado, 25 de maio de 2013
a perpetuidade do efêmero
Sonhei com ela noite passada. Estava eu andando pela calçada de uma avenida, as pessoas agitadas porque a chuva começava a cair aos pouquinhos; continuei no meu passo até que senti uma mão pousar sobre meu ombro, me virei e lá estava ela, atrás de mim e ao vê-la minha totalidade - braços, pernas, pele, rosto, cabelos... tudo - resumiu-se em coração. Naquele momento, eu somente pulsava. Meu choque cumpriu o lapso temporal de um estudo que fala que somente exprimimos verdadeira surpresa por no máximo cinco segundos após o acontecimento e deu lugar a um sangue doce que começou a me corar de vida novamente, ali, naquele devaneio do meu inconsciente, de frente pra ela. Sorrimos uma pra outra, de forma sincera, dois sorrisos de quem se reconhece no meio de "uma festa estranha com gente esquisita" e o sonho, reticente como tinha de ser, terminou: com a sua mão inerte e meu ser, revolução.
Sonhos duram segundos, se muito minutos, mas aquele durou uma vida resumida na simplicidade e rapidez de um sorriso. Depois, não houve mais nada. Desaparecemos na minha mente, insuscetíveis a qualquer desejo de que houvesse algum desfecho para aquele reencontro, até que nalguma outra noite eu a reveja e reviva o Interminável na brevidade de um cumprimento, de um abraço, de um aceno.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
"é de lágrima"
Minha amiga,
Uma vez você me disse, acertadamente, que a pessoa que eu procurava aí não mais estava. Observação direta e verdadeira, necessária para o momento que eu atravesso. Não digo que isso “abriu meus olhos” nem nada. Eu não estava iludida quanto ao contrário, mas foi importante para que eu lhe escrevesse esta carta, para que você, pela última vez, remetesse o que vou dizer em seguida àquela pessoa que eu tanto procurei reencontrar.
Meu amor,
Como eu te amo!
Você, que não deixou de ser você, mas eu deixei de ser para você quem fui no passado e à tristeza por te perder contrapôs-se a esperança de algum dia conseguir nos resgatar... eu falhei, amor.
Você me amou e me cuidou como nunca antes havia acontecido. Você é a melhor pessoa que já conheci e eu não me esquecerei de como me encontrava ao seu lado, não me esquecerei do seu sorriso e jamais perderei a imagem daquela menina que foi me buscar na rodoviária, quando nos vimos pela primeira vez. Saiba que a levarei comigo, na parte mais bonita de mim: no lugar que se desocupou quando eu lhe dei todo o amor que seria capaz de sentir e eu sabia que nunca mais seria a mesma desse dia em diante.
Se fôssemos analisar friamente, seria tolice negar que havia muita dificuldade para ficarmos juntas, que seria mais viável não termos que nos preocupar em daqui a quanto tempo iríamos nos ver de novo, em omitir isso de nossas famílias e não existiria mais a dor da despedida. A beleza em nós estava em sabermos de tudo isso tanto antes quanto agora e ainda assim - e talvez por isso - termos sido tão, mas tão! felizes, como poucas pessoas foram. Sabe, amor, estávamos tão unidas que sobreviveríamos aos maiores entraves e aquelas barreiras, juntas, não nos causavam o incômodo de um cisco nos nossos olhinhos amanhecidos. O amor somente se manifesta naquilo que é inexplicável, ele somente é percebido quando as circunstâncias conspiram para que ele não fosse capaz de ali nascer e é como se ele desafiasse tudo isso e fizesse crescer naqueles corações algo tão bonito e que jamais teria força para despontar se em vez dele estivesse qualquer outro sentimento fugaz; o amor é ilógico por natureza e contraria a razão por prazer, ele somente existe para aqueles que são capazes de ir além – e nós fomos, amor. Como fomos!
Embora não mais pousem sobre mim aqueles olhinhos, eles se tornaram inesquecíveis e espero que leiam esta carta, pois sinto que você, amor meu, já está longe demais, mas eu não queria que você se fosse sem antes eu me despedir.
Retiro todo o peso que não quis colocar sobre suas costas, mas que inconscientemente aí depositei. Desejo que estejam ao seu lado somente pessoas boas, que elas te façam rir, mas que também tenham a sensibilidade de perceber quando você precisar de um ombro. Amor, conheça muitos lugares interessantes, sempre procurando companhias tão agradáveis quanto e tenha a certeza de que eu nunca vou me esquecer de você e nem da sua família quando conversar com Deus. Quando se lembrar de mim, o faça com carinho e que a lembrança não dure mais que o necessário para alegrar seu coração e depois se dissipar; não se esqueça do que passamos e que isso te impulsione a buscar algo ainda mais bonito do que vivemos, mas em qualquer tempo eu estarei aqui para você, incapaz de te tratar com desdém ou qualquer outro sentimento que não seja carinho e atenção.
Somos incapazes de conhecer por inteiro uma pessoa. Por mais que fiquemos ao seu lado, quando pensamos entendê-la em sua totalidade, ela estava em constante mutação e o que foi compreendido no início da tarefa já não é mais como o apreendemos. Caso nos encontremos novamente, estaremos mudadas e espero que para melhor, mas uma coisa eu lhe digo: seus olhinhos podem visitar o mundo que eles, ao menos eles, sempre serão os mesmos para mim, amor.
É com muita dificuldade que lhe escrevo isso (apesar de o amor ser algo livre, a paixão resiste em não deixar ir), mas leia-me - ainda que pela última vez - com aqueles olhos: vá, amor! Continue indo sem pesar, porque se seu lugar não é comigo, eu desejarei o bem a tudo e a quem te fizer sorrir.
Amo você, meu amor.
Uma vez você me disse, acertadamente, que a pessoa que eu procurava aí não mais estava. Observação direta e verdadeira, necessária para o momento que eu atravesso. Não digo que isso “abriu meus olhos” nem nada. Eu não estava iludida quanto ao contrário, mas foi importante para que eu lhe escrevesse esta carta, para que você, pela última vez, remetesse o que vou dizer em seguida àquela pessoa que eu tanto procurei reencontrar.
Meu amor,
Como eu te amo!
Você, que não deixou de ser você, mas eu deixei de ser para você quem fui no passado e à tristeza por te perder contrapôs-se a esperança de algum dia conseguir nos resgatar... eu falhei, amor.
Você me amou e me cuidou como nunca antes havia acontecido. Você é a melhor pessoa que já conheci e eu não me esquecerei de como me encontrava ao seu lado, não me esquecerei do seu sorriso e jamais perderei a imagem daquela menina que foi me buscar na rodoviária, quando nos vimos pela primeira vez. Saiba que a levarei comigo, na parte mais bonita de mim: no lugar que se desocupou quando eu lhe dei todo o amor que seria capaz de sentir e eu sabia que nunca mais seria a mesma desse dia em diante.
Se fôssemos analisar friamente, seria tolice negar que havia muita dificuldade para ficarmos juntas, que seria mais viável não termos que nos preocupar em daqui a quanto tempo iríamos nos ver de novo, em omitir isso de nossas famílias e não existiria mais a dor da despedida. A beleza em nós estava em sabermos de tudo isso tanto antes quanto agora e ainda assim - e talvez por isso - termos sido tão, mas tão! felizes, como poucas pessoas foram. Sabe, amor, estávamos tão unidas que sobreviveríamos aos maiores entraves e aquelas barreiras, juntas, não nos causavam o incômodo de um cisco nos nossos olhinhos amanhecidos. O amor somente se manifesta naquilo que é inexplicável, ele somente é percebido quando as circunstâncias conspiram para que ele não fosse capaz de ali nascer e é como se ele desafiasse tudo isso e fizesse crescer naqueles corações algo tão bonito e que jamais teria força para despontar se em vez dele estivesse qualquer outro sentimento fugaz; o amor é ilógico por natureza e contraria a razão por prazer, ele somente existe para aqueles que são capazes de ir além – e nós fomos, amor. Como fomos!
Embora não mais pousem sobre mim aqueles olhinhos, eles se tornaram inesquecíveis e espero que leiam esta carta, pois sinto que você, amor meu, já está longe demais, mas eu não queria que você se fosse sem antes eu me despedir.
Retiro todo o peso que não quis colocar sobre suas costas, mas que inconscientemente aí depositei. Desejo que estejam ao seu lado somente pessoas boas, que elas te façam rir, mas que também tenham a sensibilidade de perceber quando você precisar de um ombro. Amor, conheça muitos lugares interessantes, sempre procurando companhias tão agradáveis quanto e tenha a certeza de que eu nunca vou me esquecer de você e nem da sua família quando conversar com Deus. Quando se lembrar de mim, o faça com carinho e que a lembrança não dure mais que o necessário para alegrar seu coração e depois se dissipar; não se esqueça do que passamos e que isso te impulsione a buscar algo ainda mais bonito do que vivemos, mas em qualquer tempo eu estarei aqui para você, incapaz de te tratar com desdém ou qualquer outro sentimento que não seja carinho e atenção.
Somos incapazes de conhecer por inteiro uma pessoa. Por mais que fiquemos ao seu lado, quando pensamos entendê-la em sua totalidade, ela estava em constante mutação e o que foi compreendido no início da tarefa já não é mais como o apreendemos. Caso nos encontremos novamente, estaremos mudadas e espero que para melhor, mas uma coisa eu lhe digo: seus olhinhos podem visitar o mundo que eles, ao menos eles, sempre serão os mesmos para mim, amor.
É com muita dificuldade que lhe escrevo isso (apesar de o amor ser algo livre, a paixão resiste em não deixar ir), mas leia-me - ainda que pela última vez - com aqueles olhos: vá, amor! Continue indo sem pesar, porque se seu lugar não é comigo, eu desejarei o bem a tudo e a quem te fizer sorrir.
Amo você, meu amor.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
acho que sonho demais
Uma palavra, quando sai da nossa boca ou por nós é escrita, é somente meia-palavra. Ela apenas se completa quando chega aos ouvidos ou aos olhos de quem ela é destinada, quando nosso interlocutor lhe preenche a outra metade. Nunca será dito algo que se transportará estéril e limpamente até o outro, nossas frases sempre estarão impregnadas de significações, algumas mais distintas, outras mais congruentes.
As coisas que já nos foram ditas, todas elas, como todo o resto, estão sujeitas a essa regra . Há jeitos diferentes de se proferir palavras e podemos nos condicionar a ouvi-las de determinado modo: seja com o carinho, a curiosidade, a saudade e mesmo os sentimentos ruins, como a preguiça e a raiva. Neste sentido, quando gostamos temos que nos esforçar para ao menos tentar - e ainda que não passe disso - interpretarmos nossas próprias palavras pelos ouvidos ou olhos do outro, porque a complementação dada por ele ao que por nós foi dito é regida pelo seu coração e por sua cabeça, locais ocupados por nós.
Nenhuma metade de palavra jamais será integralmente correspondente ao efeito que gostaríamos que ela causasse. A maior obviedade já dita é atestar que nenhum ser humano é igual ao outro e a maior contradição, alegar que não nos entendemos por esta diferença. As distinções sempre existirão, quer queiramos ou não, e o que as faz transponíveis está no esforço que empregamos para ler ou ouvir com os sentidos de quem amamos o que ele nos quis dizer (e esta alteridade somente é possível entre pessoas que se amam, senão engaveta-se como não entendido ou loucura). Apesar da nosso entendimento, há o do outro, repleto de peculiaridades e tentar entendê-lo é essencial para que os passos continuem sincronizados - mas não é essencial ao amor, porque este sentimento não depende de palavras para existir.
Eu atribuo significados profundos demais às palavras que por mim são ditas e que chegam até mim. Talvez isso seja o motivo de ainda aqui escrever, talvez esse seja o motivo de acreditar que um amor só é da vida se durar a vida toda, talvez algum dia minhas palavras serão novamente complementadas de um jeito tão bonito que eu jamais imaginei ao dizê-las, talvez um dia eu também me silencie...
A vida vai tecendo distrações no nosso dia, fatores externos se esforçam para nos dar novas possibilidades e focos. Neste meio, eu vou me organizando, às vezes me esqueço, noutras muitas lembro. Nesta história, eu vou andando, redescobrindo cores em lugares antes inanimados e quando menos se percebe, horas se passaram. Cada vez mais o vazio aumenta, assim como minha capacidade de viver com ele, mas sempre existirão as manhãs e a saudade, antes mesmo que meus olhos se abram. A verdade é que a vida vai se ajeitando da maneira que pode, tentando ser atraente o máximo possível e algumas vezes até me deixo enganar, mas a minha alma continua chamando pelo mesmo nome...
A vida vai tecendo distrações no nosso dia, fatores externos se esforçam para nos dar novas possibilidades e focos. Neste meio, eu vou me organizando, às vezes me esqueço, noutras muitas lembro. Nesta história, eu vou andando, redescobrindo cores em lugares antes inanimados e quando menos se percebe, horas se passaram. Cada vez mais o vazio aumenta, assim como minha capacidade de viver com ele, mas sempre existirão as manhãs e a saudade, antes mesmo que meus olhos se abram. A verdade é que a vida vai se ajeitando da maneira que pode, tentando ser atraente o máximo possível e algumas vezes até me deixo enganar, mas a minha alma continua chamando pelo mesmo nome...
quarta-feira, 15 de maio de 2013
1ª carta
Acordei com um aperto no peito, com uma sensação incômoda dentro de mim. Não gosto de sentir isso, então pedi ao meu anjo que retirasse dessa sensação qualquer fundamento e logo depois o enviei para o seu lado e ele foi, me assegurando que aí permaneceria, de prontidão, motivo pelo qual eu fiquei tranquila. Todas as vezes que você sentir qualquer pontadinha ruim no coração e não souber o que fazer, não se preocupe: é só fechar os olhos e perceber que ele está aí, com você.
Não estou muito bem para escrever hoje, esse aperto me incomodou um pouco, mas que ele tenha acontecido pela falta que sinto de você e não por qualquer outro motivo que te tire o sossego.
Passado isso, só queria lhe contar que senti uma saudade de você, neném. Senti uma gigante saudade de sua amizade, de sua companhia... Foi algo diferente, porque é claro que sinto sua falta se em todos os sentidos, mas o que pesou hoje foi esta saudade em particular, que nos dá uma sensação de que podemos esbarrar com mil amigos e colegas durante o dia que nenhuma completará aquele vazio que faz uma pessoa ser única nas nossas vidas; por mais que se tenha um bom amigo para conversar, é diferente, o diálogo não é solto daquela maneira e a vontade de dividir o que se passou não é nem perto da que sentia contigo - pelo contrário, às vezes dá até uma preguicinha...
Enfim, hoje eu te escrevo sem floreios, sem "doce demais" (o que é difícil, tendo em vista que sou sentimental além da conta), mas apenas para te contar do quanto eu sinto falta daqueles papos que tínhamos, do seu jeito comigo e das vezes que ficávamos em silêncio sem nos constranger por isso (os silêncios constrangedores dos quais fala Mia Wallace).
Não vou reler este texto e nem retocá-lo. É uma espécie de carta na qual, no final das contas, só reafirmo o quanto quero seu bem e quando esse bem se sentir ameaçado por qualquer motivo, converse com o meu anjinho que está aí com você, de guarda, que ele me transmitirá o recado, ainda que nas entrelinhas, e eu te enviarei amor, porque eu o sinto por você de muitas formas e mesmo que algum dia ele diminua, eu ainda terei muito amor para te mandar.
terça-feira, 14 de maio de 2013
you who are my home
Por uma única vez na minha vida eu experimentei de perto o amor. Não digo que o senti, porque este sentimento não está no passado, mas que o experimentei porque não mais o tenho perto para dar vazão a tudo que sinto por ele, para tocá-lo e protegê-lo.
Uma vez eu estive bem pertinho do amor, como nunca dantes estive. Eu o coloquei em meus braços e o acariciei até o sono vir visitá-lo; eu o vi acordar por muitos dias, amando-me e com os olhinhos semicerrados, parecendo dois filetes d'água. Cheguei a tocar o amor de inúmeras maneiras e ele me envolveu forte em seu peito. E eu lhe asseguro que nesta única vez que eu o senti muitas coisas na minha vida ganharam sentido.
Nós fomos a muitos lugares (mas não o suficiente para conhecer o mundo todo ao seu lado, como eu gostaria de ter feito) e nos divertíamos em qualquer calçada; nós passeamos e estes locais eram realmente interessantes, mas por mais intrigantes que fossem, nenhum fascínio ganhava quando nos lembrávamos que podíamos voltar pra casa e ali ficar, agarrados e em paz.
A vez que eu o tive, que estive com o amor, ele me encantou com as delicadezas mais sutis e com os carinhos mais infinitos; chegar perto dele me mostrou que eu nunca havia chegado tão próximo da felicidade, porque felicidade sem amor é somente contentamento. E eu fui cada vez me arredando para o seu lado, sem medo e sem receio, porque ele falava comigo, amável e doce, “Vem aqui, amor, fica perto!” e então meu riso rasgava meu rosto de uma porta a outra e meu coração, ah... o meu coração!
Eu vi o amor nas coisas mais simples do mundo: nas noites em que cãibra alguma resistia à vontade de dormirmos grudadas, nos dedos mindinhos enroscados furtivamente debaixo da almofada e no “Eu te amo” dito baixinho no meio do circo (porque espetáculo algum é capaz de adiar sua necessidade de amar). Perto dele, eu lembrei da vida passada e aprendi que prazeres podem até nos satisfazer por um tempo mínimo, mas que somente ser amada nos faz feliz.
Cada pessoa que eu amo - ela, meus pais, minhas irmãs e alguns poucos amigos, têm em meu coração uma casinha. Algumas têm fundações mais ou menos firmes e cada uma é diferente da outra. A casa onde ela morou, apesar de algumas tempestades e ventanias, ainda encontra-se de pé: os tijolinhos que a levantaram são muito fortes e seus pilares são de lealdade e respeito. Suas paredes são decoradas com quadros coloridos estampados de carinho, ternura e delicadeza. No único quarto – pequeno e aconchegante - há uma cama, cheia de cobertas grossas, clarinhas e limpas, onde ainda estão impressos nossos sonhos, e ela é banhada toda manhã pelo sol que entra pela janela ao lado, purificando-a de tudo que é ruim e esquentando aquele canto no qual ela dormia. Eu cuido desta casa não porque ela pediu, mas porque em amor que é abandonado nascem rachaduras que empobrecem o coração, desmoronam cantos que empoeiram a nossa alma e crescem ervas daninhas que poluem a cabeça com mágoas. Eu cuido desse amor porque ele é muito sólido pra desmoronar de uma hora pra outra e enquanto ele estiver altivo e firme, eu o quero bonito caso algum dia ela venha me visitar.
Assinar:
Postagens (Atom)
