“Hay días en que la recuerdo y me pregunto: ¿Qué estará haciendo? Hay noches en que la extraño y me pregunto: ¿Qué me estoy haciendo?”
Sempre haverá um momento e somente um. Este instante crucial à sua vida e que modificará o que você havia interpretado dela até então e irá lhe colocar uma nova lente para tudo o que virá dali em diante. Este momento não será um emprego desejado, um bem almejado ou uma mudança de cidade. Ele será um encontro seguido de um abraço, um cumprimento simples num lugar pouco cerimonioso; este cataclismo será o minuto que terá como unidade de medida um beijo no rosto e no qual você perceberá a possibilidade do verdadeiro amor. E os desdobramentos deste momento poderão ser muitos: os dias poderão realizar o que sua alma projetou naquela fração ou não, ou a vida lhe frustrará com outros momentos menos intensos, mas mais maleáveis, menos densos, menos vibrantes... enfim, a vida não será longa o suficiente para algo que eternizou-se no espaço de um instante. Por isso eu lhe digo, sempre haverá um momento e o seu momento não necessariamente será o de quem o proporcionou. Entenda isso que algumas coisas ficarão esclarecidas e as demais... bem, as demais se esconderão no coração daqueles que nos provocam algo que transformará nossas vidas.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
apesar de.
- Não vai dar.
- E por que não?
- Porque eu já disse, não dá.
- Mas algum motivo deve haver, você namora?
- Não, não namoro.
- Então...?
- É mais.
- Mais?! Você já é casada?!
- Não, mais sério.
- Então não entendo nada.
- Não vai dar porque eu gosto de outra pessoa.
- Mas vocês estão juntas?
- Não.
- Eu não entendo você amar alguém que não está junto de você.
- Mas ela está. É que assim... ah, eu já vou indo, viu? Deixa um abraço pro pessoal.
Por um segundo de loucura, eu pensei explicar o que eu havia dito, mas a penúltima frase foi a deixa que minha testa esperava para espremer num único franzir toda o desprezo e incompreensão por aqueles dizeres e ir embora à francesa, sozinha e sem me preocupar com o taxímetro. Ao chegar em casa, antes de analisar as curiosidades daquela noite, especialmente o diálogo final, resolvi enfrentar o frio e tomar um banho escaldante enquanto fervia a água. A vermelhidão da minha pele era percebida mesmo no espelho inteiramente embaçado e ali mesmo, coloquei meu mais surrado e quente moletom para não constipar ao sair no vento gelado que dobrava o corredor, devido à janela aberta da área de serviço. Como era óbvio, a água equivalente a uma xícara havia evaporado totalmente enquanto eu me demorava lavando a cabeça, então enchi o bule com outra remessa para que ela ebulisse enquanto eu colocava minhas meias e tirava a umidade do meu cabelo com a toalha, na medida do possível. Abri o sofá e nele me deitei, rodeada por travesseiros e almofadas, devidamente coberta e, enquanto passava na TV algum programa sobre crocodilos do Rio Nilo (ideal para não roubar minha atenção, que já pairava sobre o que eu havia escutado há poucas horas e que havia me espantado mais por admitir quão recorrente era aquela ideia de amor expressada), comecei a tomar meu chá de capim cidreira.
Não deixei de achar graça naquela lógica sentimental proposta pela minha interlocutora, pois então, segundo ela, casais que se veem nunca estariam passíveis de se separarem. Ri do disparate corriqueiro no qual nós incorremos ao tentar equacionar o amor em fórmulas científicas, quando o resultado que ele nos daria para um 2 + 2 seria batata. Entremeio a estas bobeiras, concluí que não compensaria me demorar naquele diálogo tentando me explicar, seja porque este sentimento não é condicionado e a procura de motivos o ofenderia, seja porque meu sofá já havia me seduzido em imaginação. Não deixou de ser curioso perceber o quão ininteligível aos olhos da maioria é amar alguém sem que não se tenha obviedades apoiando isto, não deixou de ser desanimador ver como é inconcebível para muitos amar apesar de. Nada há de estranho em dizer e reiterar que se ama alguém, desde que aquela relação esteja inserida em todas as convenções necessárias para se sustentar a frase "Eu te amo.", pouco importando se ela corresponde à realidade; há menos anormalidade em alguém que brinda com infidelidade ou deslealdade o amor que diz sentir pelo outro do que em escutar de alguém que se ama silenciosamente, independentemente do subsídio que muitos veem erroneamente como imprescindível ao amor: a presença, a reciprocidade, a prestação paga pelo outro.
Amar alguém apesar de. significa conferir ao amor a autonomia que lhe é devida; amar alguém apesar de. o esteriliza das justificativas pretensas a darem lógica a sua existência e o emancipa de toda e qualquer influência. Eu senti pena da minha interlocutora naquele diálogo, mas não o suficiente para tentar explicar-lhe que o meu amor vive por si só, ou melhor, vive somente pelo fato de C. existir - e eu disse existência e não vivência, porque eu amo C. há tempos passados e já me antecipei aos futuros, amo-a há tanto e tanto que nossa vã filosofia não saberia estimar. Portanto, não a culpo por não ver sentido quando atribuí maior seriedade ao amor que sinto do que a qualquer materialização do compromisso social - namoro, casamento..., uma vez que a noção majoritária que se tem deste sentimento é um tanto quanto rasa pois nasce quando tudo está maravilhosamente bem encaixado, quando não há medo nem angústia, quando o fogo está no auge e quase tão facilmente como respirar sai da boca o "Eu te amo". Não que o amor necessite de dificuldades para se reafirmar (isso contrariaria o que eu disse logo acima, a respeito de sua autonomia), mas ele seria desnecessário num contexto em que somente a paixão daria conta de sustentar duas pessoas juntas - e está aí a origem da confusão: verbalizar amor quando não se ama apesar de.
Bem acomodada no sofá, eu poderia ter empreendido uma cruzada para esclarecer tudo isto àquela moça, mas eu não converso sobre este assunto nem com meus amigos, que dirá com estranhos, e ficar ali em casa estava muito mais gostoso do que na rua. Além disso, seria muito dispendioso explicar a alguém que um amor da vida só o é se ele dura uma vida inteira e ainda assim ele seria pouco perto de um amor que é de todas as suas vidas. Seria difícil fazê-la entender que embora eu não estivesse com C., em nenhum momento ela estará sozinha. Seria complicado demais explanar que eu amo C. porque aos olhos dos outros não há razão para que eu a ame; seria realmente penoso demonstrar-lhe que eu amo C. não porque dela espero algo, mas tão somente porque, apesar dos olhos dos outros, seus olhinhos negros são os únicos que me importam.
Coloquei a caneca no chão e peguei no sono.
- E por que não?
- Porque eu já disse, não dá.
- Mas algum motivo deve haver, você namora?
- Não, não namoro.
- Então...?
- É mais.
- Mais?! Você já é casada?!
- Não, mais sério.
- Então não entendo nada.
- Não vai dar porque eu gosto de outra pessoa.
- Mas vocês estão juntas?
- Não.
- Eu não entendo você amar alguém que não está junto de você.
- Mas ela está. É que assim... ah, eu já vou indo, viu? Deixa um abraço pro pessoal.
Por um segundo de loucura, eu pensei explicar o que eu havia dito, mas a penúltima frase foi a deixa que minha testa esperava para espremer num único franzir toda o desprezo e incompreensão por aqueles dizeres e ir embora à francesa, sozinha e sem me preocupar com o taxímetro. Ao chegar em casa, antes de analisar as curiosidades daquela noite, especialmente o diálogo final, resolvi enfrentar o frio e tomar um banho escaldante enquanto fervia a água. A vermelhidão da minha pele era percebida mesmo no espelho inteiramente embaçado e ali mesmo, coloquei meu mais surrado e quente moletom para não constipar ao sair no vento gelado que dobrava o corredor, devido à janela aberta da área de serviço. Como era óbvio, a água equivalente a uma xícara havia evaporado totalmente enquanto eu me demorava lavando a cabeça, então enchi o bule com outra remessa para que ela ebulisse enquanto eu colocava minhas meias e tirava a umidade do meu cabelo com a toalha, na medida do possível. Abri o sofá e nele me deitei, rodeada por travesseiros e almofadas, devidamente coberta e, enquanto passava na TV algum programa sobre crocodilos do Rio Nilo (ideal para não roubar minha atenção, que já pairava sobre o que eu havia escutado há poucas horas e que havia me espantado mais por admitir quão recorrente era aquela ideia de amor expressada), comecei a tomar meu chá de capim cidreira.
Não deixei de achar graça naquela lógica sentimental proposta pela minha interlocutora, pois então, segundo ela, casais que se veem nunca estariam passíveis de se separarem. Ri do disparate corriqueiro no qual nós incorremos ao tentar equacionar o amor em fórmulas científicas, quando o resultado que ele nos daria para um 2 + 2 seria batata. Entremeio a estas bobeiras, concluí que não compensaria me demorar naquele diálogo tentando me explicar, seja porque este sentimento não é condicionado e a procura de motivos o ofenderia, seja porque meu sofá já havia me seduzido em imaginação. Não deixou de ser curioso perceber o quão ininteligível aos olhos da maioria é amar alguém sem que não se tenha obviedades apoiando isto, não deixou de ser desanimador ver como é inconcebível para muitos amar apesar de. Nada há de estranho em dizer e reiterar que se ama alguém, desde que aquela relação esteja inserida em todas as convenções necessárias para se sustentar a frase "Eu te amo.", pouco importando se ela corresponde à realidade; há menos anormalidade em alguém que brinda com infidelidade ou deslealdade o amor que diz sentir pelo outro do que em escutar de alguém que se ama silenciosamente, independentemente do subsídio que muitos veem erroneamente como imprescindível ao amor: a presença, a reciprocidade, a prestação paga pelo outro.
Amar alguém apesar de. significa conferir ao amor a autonomia que lhe é devida; amar alguém apesar de. o esteriliza das justificativas pretensas a darem lógica a sua existência e o emancipa de toda e qualquer influência. Eu senti pena da minha interlocutora naquele diálogo, mas não o suficiente para tentar explicar-lhe que o meu amor vive por si só, ou melhor, vive somente pelo fato de C. existir - e eu disse existência e não vivência, porque eu amo C. há tempos passados e já me antecipei aos futuros, amo-a há tanto e tanto que nossa vã filosofia não saberia estimar. Portanto, não a culpo por não ver sentido quando atribuí maior seriedade ao amor que sinto do que a qualquer materialização do compromisso social - namoro, casamento..., uma vez que a noção majoritária que se tem deste sentimento é um tanto quanto rasa pois nasce quando tudo está maravilhosamente bem encaixado, quando não há medo nem angústia, quando o fogo está no auge e quase tão facilmente como respirar sai da boca o "Eu te amo". Não que o amor necessite de dificuldades para se reafirmar (isso contrariaria o que eu disse logo acima, a respeito de sua autonomia), mas ele seria desnecessário num contexto em que somente a paixão daria conta de sustentar duas pessoas juntas - e está aí a origem da confusão: verbalizar amor quando não se ama apesar de.
Bem acomodada no sofá, eu poderia ter empreendido uma cruzada para esclarecer tudo isto àquela moça, mas eu não converso sobre este assunto nem com meus amigos, que dirá com estranhos, e ficar ali em casa estava muito mais gostoso do que na rua. Além disso, seria muito dispendioso explicar a alguém que um amor da vida só o é se ele dura uma vida inteira e ainda assim ele seria pouco perto de um amor que é de todas as suas vidas. Seria difícil fazê-la entender que embora eu não estivesse com C., em nenhum momento ela estará sozinha. Seria complicado demais explanar que eu amo C. porque aos olhos dos outros não há razão para que eu a ame; seria realmente penoso demonstrar-lhe que eu amo C. não porque dela espero algo, mas tão somente porque, apesar dos olhos dos outros, seus olhinhos negros são os únicos que me importam.
Coloquei a caneca no chão e peguei no sono.
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais decididamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim!
sexta-feira, 28 de junho de 2013
coisas da cabeça e do coração
Toda história que pretende ser contada é como uma folha que dança com o vento e esquiva-se de nossa mente quando tentamos aprisioná-la entre nossas mãos. A única hipótese de uma narrativa fluir é entregar-se à ação da corrente de ar que move o que deve ser transposto no papel, compreender as ondas que impulsionam e depois rebaixam as palavras, fechar os olhos e se deixar tocar por todos os sopros contidos nesta tormenta. Escrever está mais relacionado ao desprendimento de tentar ser célebre do que com as faculdades mais ou menos apuradas em saber rearranjar frases, por este motivo aí consiste a principal aflição de muitos: adiar o momento de aliviar a alma com palavras pelo medo de não ser considerado ilustre o bastante. Ainda bem que não inventaram patente para a escrita e no final das contas, sempre poderemos privar o mundo dos nossos escrúpulos dentro de uma gaveta, mas escrever é essencial.
X
Acredito eu que esteja entrando em alguma espécie de crise etária que nos visita em certos períodos da vida. Para alguns, poderia passar como desânimo ou mesmo depressão, mas eu não classifico assim e nem isto temo por não ser da minha natureza tais inclinações. Explico melhor. Nunca flertei com a tristeza e nem me adequei a situações similares, não consigo me confortar em situações que subestimam a felicidade. Para alguns isso é óbvio e o contrário, inexistente, mas não é bem assim e muitos seres humanos têm grande - e por que não dizer admirável, porém dispensável - capacidade de lidar com longos períodos de tristeza ou, mais ameno, pouca-felicidade. Não é o meu caso, sou inapta para estes momentos e talvez seja a pouca idade ou a ausência de efetivas tragédias na minha vida, mas eu sempre fui (mal)acostumada a ser muito feliz, talvez seja por isto a minha interpretação sobre o estágio melancólico no qual me encontro.
Todos nós, independentemente das particularidades, sejam elas no âmbito familiar, amoroso, profissional etc., passamos por estes períodos reflexivos que nos consomem e nos angustiam. Encontro-me há alguns dias com o coração apertado e a mente cansada sem saber pontuar as razões corretas, embora faça ideia de algumas. Penso a todo momento em rumos para meus dias e em uma vida que realmente valha a pena, não que não tenham compensado os caminhos até então percorridos, mas sou uma pessoa velha por natureza e que deseja profundamente conciliar ao longo dos anos as realizações com a felicidade alcançada - que em muito se resume dividi-la com alguém desmedidamente amado. Após ter recebido uma boa surpresa no último ano e infelizmente não ter sido possível mantê-la em minha vida, meus botões recentemente começaram a divagar sobre temas que antes não eram ausentes, mas pouco me ocupavam - e que providencialmente agora vieram à tona, seja pela ação de quem me fez tanto crescer seja pela necessidade de entender-me melhor, visto que mais cedo ou mais tarde todos somos confrontados por nós mesmos.
Talvez o período atual seja o de maior solidão com o qual já convivi, solidão no sentido mais literal da palavra. Isso me fez perceber que eu nunca lidei plenamente com o meu íntimo, nunca o encarei de frente e falei com minhas vozes internas "Sentem-se aqui e vamos conversar". Nestes últimos tempos, me vi forçada a fazer isto e não nego que fui em diversas vezes acometida pelo desespero, refugiando-me em conselhos de outras pessoas que sequer faziam ideia do que se passava dentro de mim, mas que estavam ali para dizer o que eu queria ouvir. Normal de todos nós estes deslizes, tenho me adaptado cada vez mais a esta situação e talvez seja por isso minha cabeça estar tão inquieta recentemente, penso eu conhecer-se a si mesmo ser uma tarefa árdua.
Indagando-me sobre os motivos que levaram a pessoa que eu amei - ou levaram-na a partir - percebi que por muitas vezes fiz leituras erradas sobre mim mesma e que seria necessário repassar algumas visões - não para entender o que causou o término, porque isso é coisa do coração, não passa por mim ou por ela, mas para compreender-me. Estes tempos têm sido difíceis, têm sido complicados, mas eu tenho fé de que passarei por este momento fortalecida pela consciência de humanidade que muitas vezes nos falta quando achamos sermos mais do que realmente somos: corpo e alma.
Dos planos aparentemente tão simples que eu possuo, todos suspenderam-se para dar lugar a essa convenção interna que se arma todos os dias para me "atazanar" com existencialismos, mas algum dia os devaneios se esgotarão e chegará o tempo dos primeiros desabrocharem para o dia, quando a leveza e a calmaria unir-se-ão pelo lar aconchegante que tanto quero dividir, pelos filhos que quero ter, pela vida um tanto quanto utópica de almejar o comum, apesar de tantos sonhos mais sedutores e mirabolantes oferecidos. A simplicidade é o meu maior desejo e fazer cotidiana a paz que se sente ao lado de quem se ama é o maior bem que se pode ter.
Não há como negar que sinto muita falta da segurança que possuía com ela, não no sentido de que ninguém ameaçava meu lugar, não no sentido carnal, mas num viés de cumplicidade que estar ao seu lado me proporcionava. Éramos muito companheiras. Se isto me deixa lacunas, que dirá então comentar sobre o vazio que delineou-se quando não mais percebi o seu amor... isto é algo inexplicável, é uma ausência inestimável de alguém que só assim seria insuperável porque por ela foi inacreditável ser amada. Muitas e muitas vezes eu me anestesiei sobre estas faltas vislumbrando as inúmeras possibilidades que tenho pela frente, podendo experimentá-las sozinhas, enquanto jovem que sou, mas a realidade é que, no final das contas, um mundo inteiro não vale à pena se ele não se aconchegar no colo de quem se ama. Às vezes desejo que isso passe logo, mas paciência foi algo que aprendi a ter nos últimos meses e há tempo suficiente para se esvair o que não deve ser e há tempo para se reencontrar o que nunca deveria ter sido perdido - a beleza está em nunca sabermos quem está destinado a quê.
Enquanto os nós desatam-se vagarosamente, aguardo de forma a manter minha serenidade o máximo que posso e repito exercícios que aliviam o corpo e a alma. Enquanto continuo remando por estas águas turvas e pouco convidativas, acreditando estar cada vez mais perto o horizonte cristalino, apego-me às poucas certezas que me foram reveladas e atento-me para o que me clareou a mente dia destes, como numa epifania cinematográfica: nesta vida, todos nós estamos sozinhos enquanto indivíduos que somos, mas o que me faz menos solitária não é cercar-me de pessoas, mas deixar que aqueles que amo saibam que são por mim amados, que são donos do meu amor. Muitas dúvidas ainda me tomam o sossego diário, mas algo está muito transparente para mim, nesta minha cabeça e neste meu coração cada vez mais incongruentes com este mundo doido: eu sou exageradamente romântica e sonhadora, sim, mas não se pode negar que a vida é muito bonita para que valha à pena algo que não seja feito de amor. Por isso aqui repito que eu a amo, eu a amo e a amo muito porque a os dias são curtos para se amar pouco. Eu a amo e amo-a firme, fiel e verdadeiramente.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
(des)conhecida
Ela me conheceu quando eu estava totalmente limpa, desinfetada de passado e passadas, cansada de apostar em jogos de azar românticos.
Ela me conheceu num momento despretensioso, em uma situação que nada daria por nós, em hipóteses para nos conhecermos que nenhuma chance teria de se concretizar se eu nelas pensasse quando acordei naquele dia.
Nós nos encontramos de maneira inusitada, quando eu mais descrente estava e quando mais quis de alguém cuidar quando seu sorriso fulminou meus olhos.
Ela me viu quando eu já a tinha avistado, numa comunhão de pensamentos, sabedoras de que nos amaríamos.
Eu a conheci quando nada mais esperava e com ela aprendi a poder tudo, mesmo quando tudo me dizia nada.
Nós nos conhecemos num mundo infértil, onde eu não me encontrava e naquele momento em que coloquei ao seu redor meus braços, conhecê-la me deu um lugar.
Nós nos desconhecemos e buscando reencontrar-me, vejo-me numa estrada de desencontros.
A vida anda tão difícil, minha estranha conhecida...
Ela me conheceu num momento despretensioso, em uma situação que nada daria por nós, em hipóteses para nos conhecermos que nenhuma chance teria de se concretizar se eu nelas pensasse quando acordei naquele dia.
Nós nos encontramos de maneira inusitada, quando eu mais descrente estava e quando mais quis de alguém cuidar quando seu sorriso fulminou meus olhos.
Ela me viu quando eu já a tinha avistado, numa comunhão de pensamentos, sabedoras de que nos amaríamos.
Eu a conheci quando nada mais esperava e com ela aprendi a poder tudo, mesmo quando tudo me dizia nada.
Nós nos conhecemos num mundo infértil, onde eu não me encontrava e naquele momento em que coloquei ao seu redor meus braços, conhecê-la me deu um lugar.
Nós nos desconhecemos e buscando reencontrar-me, vejo-me numa estrada de desencontros.
A vida anda tão difícil, minha estranha conhecida...
terça-feira, 25 de junho de 2013
infinitas vezes
Até que chegará o dia em que seremos obrigadas a engavetar tudo o que passamos e eu não mais verei as fotos penduradas no móvel de sua sala, os discos no canto do cômodo, a cama bagunçada, nem os livros e DVD's na estante. Chegará o dia em que as coisas se esfacelarão e terão de se contentar com o nome de lembrança, nome este que condena ao esquecimento tudo que não mais pode ser abraçado. Nós nos perderemos nos caminhos opostos aos quais, inconscientemente, induzimo-nos a tomar e como quem assiste da calçada seu grande amor partir em um ônibus, veremos a distância se alargar entre nossos corpos e corações. Chegará a noite que, silenciosa e ardilosamente, se pronunciará como sendo a última que passaremos juntas e, sem disto saber, nós não nos apertaremos o suficiente na cama para compensar as saudades que farão doer nossos ossos em todas as demais madrugadas seguintes; então, no entardecer, nos despediremos com sorrisos nos rostos, com o coração em paz, sem saber que esbarraremos na separação e que não mais nos encontraremos dentro dos olhos da outra, quando eles faziam do mundo um lugar familiar para se viver. Haverá o dia em que você me consolará dizendo nunca sair do meu lado e eu lhe assegurarei que nunca mais amarei ninguém, mas então estas promessas cairão por terra e inventaremos outros amores, andaremos ao lado de outras pessoas e trairemos nossos corações e almas - que continuarão a chamar, a gritar, a berrar pela outra. Seremos consumidas pelo frenesi da vida e cada vez mais encararemos como longínquo os momentos que vivemos juntas, remanejando para um canto de nossos íntimos o que passamos e isto será necessário para que outras pessoas ocupem-nos como sendo mais real e prático o que elas têm a nos oferecer do que a ideia distante daquilo que éramos. Haverá o dia em que eu irei ao cinema sozinha, em que eu viajarei sozinha, em que algo importante me acontecerá e eu não dividirei com você; haverá noite em que o máximo de ti que terei comigo serão recordações ou a sua blusa por mim vestida - para, infantilmente, sentir-me mais perto; haverá o dia em que não mais nos veremos nem conversaremos. Chegaremos ao ponto de pensar que nunca nos separaremos, mas então chegará também o dia em que seremos apartadas e num primeiro momento, sentiremos uma dor insuportável, mas então seguiremos, não iremos morrer por isso e entenderemos que nossos passos seguirão sozinhos, desconhecendo o motivo do seu peso (e haverá novamente o dia que compreenderemos estarem eles pesados por terem deixado para trás outros dois pés que dividiram consigo o peso da vida que se insinuava pela frente).
Até que chegará o dia em que, após muito tempo, nos reencontraremos - sabe-se lá por qual motivo, e meu coração estará velho, eu carregarei nas sobrancelhas, nas bochechas, na boca e nos olhos aquela invisível marca de quem há muito perdera um grande amor e me comportarei com um quê de sabedoria-arrogante por já ter vivido "muita coisa difícil". Haverá o dia em que eu novamente lhe verei - poderemos estar comprometidas ou não, poderemos ter filhos ou não - e, independentemente de tudo, me reportarei à inocente e bonita ideia de que aquela ali na minha frente já foi quem comigo dividiu uma vida, uma família, animais de estimação, viagens, angústias, felicidades, um copo de água... Meu rosto se encherá de vida e eu me reconhecerei naquela que eu tanto amei, mas então o tempo, este inconveniente elemento, me advertirá de que terá se passado o número de dias necessário para o amor acabar... e então neste dia, como quem gosta de todas as obviedades contrariar, pela enésima vez eu me apaixonarei por você.
Ando pensando muito em você. Alguns acreditam que quando se faz tão intenso assim um pensamento, ele é correspondido, mas eu não compartilho desta visão otimista. Espero somente que você esteja bem. Às vezes, acordo de madrugada, com uma coisa estranha dentro de mim e com você na cabeça, num horizonte distante que chega até doer tentar enxergar. Enfim, nem sei se você ainda aparece por aqui e caso não o faça, não me sinto triste, pois é sinal de que você seguiu em frente e que está feliz, única coisa que desejo para sua vida. Me submeteria a escrever uma vida inteira sobre você para assegurar sua felicidade. Fique bem. Abraço.
Ando pensando muito em você. Alguns acreditam que quando se faz tão intenso assim um pensamento, ele é correspondido, mas eu não compartilho desta visão otimista. Espero somente que você esteja bem. Às vezes, acordo de madrugada, com uma coisa estranha dentro de mim e com você na cabeça, num horizonte distante que chega até doer tentar enxergar. Enfim, nem sei se você ainda aparece por aqui e caso não o faça, não me sinto triste, pois é sinal de que você seguiu em frente e que está feliz, única coisa que desejo para sua vida. Me submeteria a escrever uma vida inteira sobre você para assegurar sua felicidade. Fique bem. Abraço.
sábado, 22 de junho de 2013
flutuei
Flutuei. Como se me desprendesse do meu corpo, repassei todo o seu caminho, visando-a de uma forma panorâmica e distingui todos os sinais da ternura que inundavam as pedras por onde pisávamos. Sofri de amor, mais uma vez. Encolhida no canto que tanto me acolhe, lembrei-me das frases ditas e dos beijos agora insuficientes para abrandarem um coração que não deixa de flutuar. Entorpecida pelas relações mundanas, ascendi ao que era dia e meus sentidos encerraram-se na introspecção que foi pensar em você. Sinto muito, mas preciso ir embora. Para quê? Flutuar. E novamente desafiei aquela amarga sensação de vazio somente para visitar você dentro de mim. Às vezes, antes de entrar, penso que não vale a pena sofrer e hesito, mas quando flutuo, ah! Como é linda a vista daqui de cima. Então, sigo. Sofri de amor, mas depois leio um livro ou vejo um filme e então me distraio. Ver-te daqui não é tão bom quanto quando te observada antes, na distância de nossas bocas encostadas, mas flutuar sobre você é bonito demais, você é bonita demais. Flutuar sobre você é o mais próximo que consigo chegar de Deus. Flutuei.
domingo, 16 de junho de 2013
2ª carta
Portando uma revista de palavras-cruzadas, sentei-me na Praça da Liberdade essa semana, pois julgava estar pronta para tanto. Ao me acomodar num barquinho, perto do coreto, e começar a desvendar os quadradinhos, todo tipo de recordação passou por mim, desde o passeio com seus pais na cidade deles ao sono que você tirou no meu colo quando fomos juntas de São Paulo visitá-los. Ainda existem momentos que vivemos e que ainda são inéditos enquanto lembranças, então eu os descubro pela primeira vez como uma memória e meu coração só falta explodir. Depois de tanto tempo sem nos falarmos, eu senti uma dor muito grande, como se fosse o primeiro dia após a ruptura, e por isso fui àquele lugar nesta semana tentar te visitar em pensamento. Às vezes eu sinto dificuldade em me situar na realidade que se impôs sem a sua presença, me dói os dias sem a esperança que até pouco tempo me fazia acreditar que n'algum momento voltaria a dar certo, mas é desse modo que as coisas estão e no final das contas, eu sempre terei boas coisas para me reconciliar com você dentro de mim.
Tomei um banho e me deitei na cama, peguei uma caneta, a revistinha e coloquei um pirulito na boca. Neste momento, foi como se meu peito se comprimisse em uma caixinha de fósforo e eu me levantei imediatamente, ainda com os cabelos molhados e despenteados, e sentei-me na beira da cama.Como se estivesse dentro de um avião em queda livre, abaixei minha cabeça até aos joelhos e respirei fundo (e me dei conta que quem faz aqueles catálogos de companhias aéreas sabe mesmo acalmar os outros). Me desfiz das palavras-cruzadas e do doce porque, sabe... apesar de algumas lembranças não mais me tirarem o fôlego, muitas outras coisas que passamos (a maioria delas, aliás) ainda não se reduziram à memórias. Como se tomassem exemplo da rebeldia que eclodiu nesse junho, elas sobrevivem à descrença e eu, que sempre fui fã de barricadas, não as reprimo porque mesmo que lide bem com alguns pensamentos, outros cheiros, lugares, gestos e gostos não se conformaram com o fato de que não mais serão realidade e se insurgem contra o esquecimento.
Ao caminhar de volta para casa, eu vi que inauguraram um restaurante acanhado, mas bem bonitinho, perto ali de onde moro. Queria te dizer que eu senti muita vontade de te levar lá. Ele era estilo italiano, com mesas cobertas por forros quadriculados, decoradas com uma garrafa de vinho que possuía uma vela no bico, bem clichê. A luz era muito baixa e se não fosse pelo ambiente romântico, remeteria um quê de lúgubre, mas era aconchegante demais para qualquer tristeza. Por serem muito estreitas, as mesas permitiriam que sentássemos de frente uma para a outra e não tivéssemos qualquer dificuldade em ficar de mãos dadas, mas ainda assim eu preferiria ficar ao seu lado. Ao passar por este lugar, eu refleti sobre o tempo que não nos encontramos e pensei na última vez que nos vimos... pensei em como foram poucos os beijos que te dei perto da quantidade de lugares no mundo que existiram sem que a eles eu a apresentasse.
Continuei meu caminho para casa e ao passar pela Igreja de Lourdes, comprei uma pipoca de uma senhora que ali em frente estava. Poxa, eu gostava tanto da sua simplicidade para certas coisas, sabia? Como quando você queria um milho verde de um vendedor ambulante ou quando você saía de casa de chinelos, sem muito fricote, bonita por si só. Era muito bom o modo como me sentia à vontade ao seu lado e você ficaria muito feliz ao saber que essa dona, além de pipoca, vende aqueles pirulitos de açúcar que você detonava um saquinho em série. Comprei uns três (ela vende a unidade) e fui para casa.
Você é forte demais em mim.
Com amor.
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